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Come To Daddy, o videoclip como imagem onírica

É isto que acontece quando se junta um dos mais perturbadores criadores de música dos últimos anos a um verdadeiro "criador" de imagens. Como é interessante e revelador perceber que os videoclips musicais são a linguagem audiovisual mais interessante da última década. Como disse uma vez um grande poeta colombiano: "o cinema passou rapidamente de mudo a cego...". Mas os vídeos de Cunningham e de outros mestres do videoclip (Gondry, Spike Jonze, Glazer, Sednaoui, Corbijn, etc), devolvem-nos um imaginário e uma capacidade onírica há muito perdida nas linguagens audiovisuais.

A Resposta Certa No Momento Certo

Era a ressaca aos yuppies... Era o fim do "hippismo" (também bastante ressacado)... O mundo esperava depois do meio vazio dos 80s (meio, porque não nos podemos esquecer dos Joy Divison, de Nick Cave, dos Sonic Youth, dos Cure, dos Pixies, Smiths, e afins) uma voz que fosse mais um grito; e esse grito veio do nada, do sítio menos esperado (mas donde mais poderia vir?), de uma pequena aldeia perto de Seattle... Logo venderam a alma ao Diabo mas já tinham mudado o mundo... Nem mais, nem menos: Nirvana, sem vergonha e sem euforia. Apenas com um grito. E que grito!

Neste vídeo, os Nirvana em playback* no mitico(?) Top of the Pops...





*não podendo tocar a música ao vivo, os Nirvana aceitaram tocar em playback, desde que Kurt Cobain pudesse cantar ao vivo... e assim foi... com palminhas dos meninos e meninas...